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Marina Silva, a Solução. (Post Especial)

Apesar de ser uma figura controversa, Marina Silva é a candidata ideal – em termos pragmáticos – para o Brasil em 2018. Para Mises, em seu trabalho ‘Liberalismo Segundo a Tradição Clássica’, o liberal preza, antes de tudo, pela paz e pela ordem social. Sem a existência destes dois requisitos, o desenvolvimento social e institucional é insustentável e impossível. Não há como produzir riquezas em uma nação que constantemente é interrompida por conflitos civis e guerras ideológicas.

O Brasil atual, vive em um cenário político lastimável, onde os representantes da direita conservadora e os da esquerda socialista ameaçam aumentar ainda mais o tamanho do Leviatã – que já é enorme – para consolidar seus respectivos projetos de poder (e não de futuro). Afirmam estes que só mais intervencionismo poderá solucionar problemas que o próprio intervencionismo passado gerou. Os da direita conservadora são ainda mais perigosos, pois pessoas como o Bolsonaro, a fim de atenderem uma “fatia do mercado” político que se torna cada vez mais aberto às ideias liberais, adotam um discurso de livre-mercado e defesa da iniciativa privada, quando na verdade, suas políticas anteriores e atuais mostram justamente o contrário. Oportunismo é a palavra certa que definem estes estatistas que chegaram a enganar até mesmo libertários como Paulo Kogos.

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Diante de todos estes perigos à liberdade, a página Engenheiros Libertários, em decisão comum, decidiu abertamente apoiar Marina Silva em sua candidatura para 2018, pois acreditamos que ela é a única possível para idealizar um Brasil mais aberto, livre e pragmático.

Marina Silva representa uma nova forma de governar. Ela não governa com apaniguados e nem sob influência de indicações políticas. Sua proposta de governo pretende ouvir o lado bom de cada administração a fim de contornar a crise e dirimir os efeitos nefastos das políticas anteriores. Não é a toa que o jornal britânico The Guardian elegeu Marina Silva como uma das 50 personalidades capazes de salvar o planeta. Em seus discursos, Marina Silva defendeu que o eleitor é o real agente político que governa, em outras palavras, trata-se de uma candidata mais aberta ao próprio conceito de individualismo.

Por fim, se você tivesse que escolher entre ser governado por Hitler, ou por Satã, a resposta seria óbvia para todos nós. Por isso defendemos Marina em 2018! O Brasil libertário precisa dela!

Ah, claro, feliz 1º de Abril.

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O Brasil perdeu o senso do absurdo

A cada dia que passa o Brasil se revela um cenário de reviravoltas e intrigas que deixaria qualquer seriado americano com inveja. Nenhum roteirista seria melhor para transcrever uma obra mais política quanto o nosso próprio tempo… Um ode teatral que dá espaço ao novo pensamento subversivo moderno. Um pensamento mais auto-confiante, menos patriarcal e comodista.

O brasileiro é um povo que ama o estado e odeia os políticos. O paternalismo e psicologia estatal é enraizado na sua cabeça desde a mais tenra idade. É implantado, de tal forma – e tão profundamente -, que dói arrancar as suas raízes, tal qual uma extração de dente. Fere o ego, fere o sentimento, fere o nacionalismo (ou ufanismo?), fere o orgulho, fere a ideologia. É difícil olhar para toda uma vida, pensamento, consciência, todos construídos em cima de uma base ideológica na qual “o Estado há de prover”. É realmente doloroso olhar para o nosso passado, para a nossa construção individual de pensamento e perceber: “Há algo de errado aí”. Esta humildade é só o primeiro passo… E é, em tempos como este, extremamente necessária.

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I’m Batman!

O governo é a instituição que mais cometeu equívocos em todo o solo verde e amarelo. Não dá para acreditar tanto em uma classe que busca se eleger pensando em seu próprio benefício ou no do seu partido. Vemos o Estado se contorcendo, definhando e implodindo… Uma cobra que morde o seu próprio rabo. Muitos culpam o tal multipartidarismo, culpam o corporativismo, culpam a cultura do “jeitinho”, culpam tudo… Menos a existência, tamanho ou comportamento da máquina em sí. Máquina esta que seria uma instituição tão pura que fora corrompida com o interesse alheio. Esta máquina não é abstrata. Ela é um conceito abstrato concretizado pois é apenas a interação de pessoas, decidindo o destino de outras – e de sí mesmas.

Sou Baiano. Da minha terra vem um ditado: “Todo mundo é comedor de feijão”. Pode parecer bobo, mas ele nivela todos num nível no qual, queira ou não queira, revela que temos as mesmas necessidades e, por fim, o mesmo destino. A máquina política é método de administração de um território forçado por via da coerção física e “legal”. A “legalidade das leis” – ou aceitação/submissão psicológica da mesma a seus subservientes – é a questão mais discutida atualmente. O pensamento patriarcal, que em suma revela uma descrença na capacidade do povo na resolução de problemas – e por consequência uma maior crença e destinação de poder a classe política – é presente no nosso dia-a-dia de tal forma que a própria “Lei” (manifestação no papel de pensamento dos homens, tão falhos quanto quem vos elegeu) é tida como ilibada/intocável.

Pois bem, eu tenho uma surpresa pra você. O poder legislativo, judiciário e executivo são formado por pessoas. O Estado é um agrupamento de pessoas. E você apenas os colocou lá porque acredita, desde o seu berço, que eles são mais capazes do que você para resolver os seus problemas e o das outras pessoas. Este é o grande mal da democracia. E quando este “poder” – de efeito abstrato e psicológico, pois só existe porque você o permite – revela o ser humano por detrás da máscara…

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E por que dói tanto a política e suas endêmicas patologias? Porque entregamos grande parte da administração de nossa própria vida à uma classe que não sabe cuidar nem deles próprios. Somos obrigados a votar, somos programados a confiar, somos – assim como bois marchando ao matadouro – forçados a meter as mãos no bolso e direcionar recursos ao Estado. E a festa acontece debaixo de nossos próprios olhos.

Está mais que provado que o Estado – e suas conturbadas crises através da história – é um recurso extra, à parte da sociedade e, praticamente, insustentável. O capitalismo não precisa de crise pra sobreviver. É uma falácia absurda… Porém o Estado sim. Redirecionando recursos escassos ao seu bel prazer, os sanguessugas da classe regojizam-se em suas poltronas e aproveitam, tal qual um menú degustação, de cada voto apreendido.

O nosso dever e missão é acreditar mais em nós mesmos. Não existem “heróis”, a história provou isto. A política se vende com o rótulo de que a própria sociedade precisa de um “membro estranho” (Estado) sobre ela, organizando-a pois, afinal, nunca seremos capazes de administrar nossa vida. Existe um “contrato social” nunca assinado por nenhum de nós… O Estado se vende (ou “se lucra”) com a mentalidade da incapacidade, da subversão de valores, da descrença. Somos – por natureza – seres inaptos e incapazes. Precisamos da “muleta estatal”. Precisamos de uma mãe abstrata reguladora e interventora na nossa vida. A sociedade nunca teria como reger-se pelas próprias regras, pelo fluxo de mercado e poder aquisitivo, pelas instituições, leis naturais/privadas, pela cultura, pelo fluxo natural. Há, até a mais profunda raiz, a percepção de que somos, no enxugar das lágrimas, seres subestimados. Para quem tem olhos para enxergar, não é o Estado que nos serve… Nós servimos ao Estado.

O efeito psicológico deste pensamento é danoso. Uma pessoa pró-ativa, responsável e empreendedora nunca pensará desta maneira, esperando que do céu caia o feijão e prazer do dia-a-dia. Do céu, lê-se, do Rei, do presidente, do partido, do deputado, do vereador, do político/Estado (sim, eles são a mesma coisa). Política virou religião. A doutrina da salvação pregada pela igreja foi redirecionada a uma personificação das abstrações conceituais e heróicas dos contos de fada e arquétipos infantis, materializados nos seres elegidos. Felizmente, a grande realidade é que a tentativa implantação do paraíso na Terra só teve como consequência o próprio inferno. Não precisamos de pessoas “bem intencionadas”… Precisamos de pessoas competentes, com conhecimento e serventia necessária para atender à necessidade de terceiros. Precisamos de mais fé no indivíduo e suas capacidades.

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A fé política é uma fé morta em origem. Condena-se em decadência e decepção quem crê em algo desta natureza. Em essência, a classe não deseja acabar com a pobreza, com a desigualdade, com nada… Eles precisam disto. A proposta de venda de esperança de 4 em 4 anos é o grande motor da máfia/cúpula estatal. É o aproveitamento da ingenuidade alheia. É tirar doce de criança. Despertai!

A fé no indivíduo é uma fé viva. A fé neste mesmo pode advir de uma fé em um Ser Maior, afinal, é comum a crença de que quando o indivíduo se movimenta em prol de seu benefício próprio e de seus semelhantes, “Algo de Maior” viria ao seu encontro. Budistas, correntes cristãs, espíritas e outras crenças pensam desta forma. “Faça por tí que te ajudarei”. Esta crença individual é única pois, por mais piegas que soe, cada um somos um. Sendo um e, juntos, fazemos o nós. “Somos sós, com outros ao redor”. A crença na individualidade tem de despertar. A benevolência gera tal qual chama quando respeitamos todos os valores individuais. O choque de realidade é preciso para “não esperarmos”. O Brasil está no fundo do poço pois absorveu-se desta “espera” todo o proveito pessoal possível. A mentalidade patriarcal faz de migalhas o seu ouro em pó, distribuído paulatinamente em doses homeopáticas.

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Acorde para sua raridade e força individual!

O Brasil perdeu o senso do absurdo. Mas precisamos acordar. Acordar não para uma “nova classe política”… Ou para novos “representantes do povo”. O Sistema se reorganiza… O Sistema se enquadra, arranja novas vanguardas, amplia-se em novos rumos, refaz-se em velhos caminhos… Constrói um muro novo com velhos tijolos, para citar meu amigo Karl Marx, um dos grandes culpados por tudo isto… Precisamos acordar para nós mesmos. Se é para fazer um trabalho bem feito, quem é que deveria fazer? A sociedade há anos vem fazendo mais por sí mesma que qualquer Estado. O celular, o computador, o carro, o avião, as doações privadas, o transporte de água, sistema de irrigações, descobertas químicas/médicas, o auxílio mútuo e benevolência espontânea fizeram incomparavelmente mais pela sociedade que qualquer tipo de organização estatal. Historicamente, a organização estatal só fez algo pelo o povo quando cumpriu o seu papel mais essencial: Se distanciar dele. Todo o resto é demagogia barata.

Guerras? Estatais. A história flui com mais facilidade quando as mãos peludas não estão presentes. A vida é mais bela sem a intervenção… A Luz pode clarear mais os indivíduos quando não há repressão e os mesmos são livres até para aprender com os seus próprios erros.

Este momento nacional reflete a incapacidade da mentalidade entreguista, doadora… Que responsabiliza a outra pessoa a força de carregar as coisas em seus próprios ombros… E este peso só aumenta com o tempo e com a presença matriz.
Indivíduos do Brasil… Uní-vos!

Liberdade de Expressão ou Liberdade de Opressão?

Recentemente, no Facebook, grupos de esquerda se organizaram para denunciar páginas que propagavam ideias contrárias às suas. Buscaram legitimar tal ação com o argumento de que “liberdade de expressão não é liberdade de opressão” e que tais páginas “promoviam discursos de ódios inaceitáveis para a sociedade atual”. Em contra-resposta, houve uma reação da direita conservadora para denunciar e derrubar páginas que eram tidas como sendo de esquerda.

Embora os indivíduos que participaram deste evento tenham recorrido às regras de uma empresa privada para excluírem páginas que transmitiam ideias que para eles eram ofensivas – ao invés de recorrerem ao papai Estado -, esta ação apenas mostra uma faceta do brasileiro: sua intolerância com ideias contrárias e o seu autoritarismo disfarçado.

Pensamento comum: pode se expressar, desde que sua opinião não seja neoliberal/feminazista

Vamos parar e pensar um pouco nos argumentos favoráveis à exclusão de páginas tidas como conservadoras e reacionárias. Melhor ainda, vamos tentar descrever o real significado escondido na palavra “opressão”. Hayek, um economista que gosto muito, em seu livro Os Fundamentos da Liberdade, dá uma descrição bastante precisa. Segundo ele a coerção ocorre quando um indivíduo é obrigado a colocar suas ações a serviço da vontade de outra pessoa, não para alcançar seus objetivos, mas para buscar os das pessoas a quem ele serve.

Obviamente, não dá para chamar de coerção quando alguém, por exemplo, barra minha passagem na calçada porque está parado na minha frente, obrigando-me com isso a desviar minha rota para poder passar. A coerção não implica apenas a ameaça de infligir algum mal, mas também deve ter a intenção de provocar com isso determinada conduta. No caso da calçada, o indivíduo parado não tinha qualquer intenção de me fazer mudar de rota – ele não ganharia nada com isso – estava apenas ali parado. Embora tenha me infligido um mal, fazendo-me alterar meu caminho para poder passar, não houve ali qualquer intenção por parte dele de fazer com que esta fosse minha conduta. Muito diferente seria se este mesmo homem me apontasse uma arma e dissesse que por ali eu não passava e que deveria mudar a rota.

Como Locke maravilhosamente descreveu em seu Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, quando pensamos no homem no Estado de Natureza, encontramos ali um indivíduo livre de qualquer coerção, em um estado onde ele é absolutamente livre para decidir suas ações, dispor de seus bens e de suas associações como bem entende, sem pedir autorização de nenhum outro homem nem depender da sua vontade. Ora, dado que neste estado todos desfrutem de igualdade – já que nenhum indivíduo tem maior poder que o outro – cabe a cada um assegurar a existência da paz social, o que implica que todos são habilitados a punir aqueles que botem em risco a ordem e a harmonia da sociedade livre. Afinal, neste estado de igualdade perfeita, onde não existem soberanos ou jurisdições de um sobre o outro, todos têm o direito de garantir a lei[1].

Inclusive, Locke até afirma a existência de uma espécie de Pacto de Não-Agressão quando diz que um indivíduo ao transgredir a lei da natureza, declara a partir desta ação estar vivendo sob outra lei diferente, tornando-se, portanto, perigoso para a humanidade. Dado que no Estado de Natureza todo homem pode reivindicar seu direito à autopreservação, há a abertura para que qualquer um possa punir e reprimir outros que tenham infringido a lei natural. Locke, sendo um homem religioso, fundamenta esta verdade na bíblia, mais precisamente em Gênesis 9:6, “Quem derramar o sangue humano, pela mão humana perderá o seu”.

Nobre ser humano no Estado de Natureza exercendo seu livre direito de punir infratores: invadiram minha propriedade, eu queimei a deles!

O ser humano, mesmo no Estado de Natureza, busca uma ordem social estável e harmônica para que possa perseguir seus objetivos, afinal, o uso eficaz de sua inteligência e habilidade exigem que ele tenha a possibilidade de prever as condições de seu ambiente para que possa criar e executar um plano de ação. Se todo indivíduo tivesse legítimo poder de ser o juiz de sua causa própria, naturalmente abriríamos margem para a confusão e a desordem. Percebendo tamanha insegurança que isso propiciava na sociedade, a humanidade instituiu o governo civil como solução para os problemas gerados pelo Estado de Natureza. Assim sendo, para garantirmos maiores liberdades na sociedade, os homens abdicaram de sua igualdade no Estado de Natureza e do seu direito à auto defesa. Nenhum homem poderia mais advogar em causa própria.

Através de um pacto previamente estabelecido, terei conhecimento de que se agir de determinada maneira, sofrerei coerção, e desde que consiga evitar tal conduta, nunca serei coagido. Ao estabelecer o que acontecerá, se o indivíduo agir desta ou daquela maneira, os seres humanos podem usar o seu conhecimento a respeito das leis do Estado para alcançarem seus objetivos. Nesse sentido, os primeiros liberais compreendiam que o Estado deveria ser o mais limitado possível, porém existente, provendo a segurança e a justiça e garantindo uma sociedade livre (expressa no conceito de livre-mercado e direitos individuais), gerando assim a paz social tão desejada pelos indivíduos.

José Guilherme Merquior descreve de forma fantástica a existência de quatro tipos de autonomia. A primeira materialização de autonomia, segundo ele, era a liberdade de opressão. Tal liberdade confere ao homem seus direitos individuais e dão origem a um sentimento de dignidade. Ainda de acordo com este mesmo autor, a autonomia individual também advinha da liberdade de pensamento, tão duramente conquistada durante a época da Reforma européia. O direito ao pluralismo religioso secularizou-se na forma moderna de direito de opinião, liberdade de imprensa, intelectual e artística.

Partindo da premissa de que a ordem pública é indispensável à liberdade comum, para que cada um possa alcançar os seus fins individuais, será legítimo um controle do Estado para evitar a circulação de ideias que botem em risco a paz social tão desejada pelas sociedades humanas? John Rawls, em Uma Teoria da Justiça, abre uma possibilidade positiva para essa questão. De acordo com ele, não devemos ser tolerantes com os intolerantes e a limitação da liberdade é “justificada apenas quando necessária à própria liberdade, de modo a evitar uma redução da liberdade que seria ainda pior.” Se os intolerantes representam um perigo imediato para a liberdade, há a necessidade da limitação de suas liberdades.

Guevara, o homem mais tolerante de todos os tempos!

John Rawls vai ainda mais além, ao afirmar que um grupo intolerante não teria legitimidade para protestar quando uma liberdade igual à dos outros lhe fosse negada. Para Rawls, o direito de alguém protestar só é válido quando ocorrem violações de princípios que ele próprio reconhece. Mas afinal, um discurso homofóbico está limitando as liberdades de quem?

Ora, dado que um ser humano verdadeiramente livre é autônomo, e que a autonomia está materializada na liberdade de opressão (conforme exposto por Merquior), um casal homoafetivo pode-se ver coagido a não viver conforme desejava por conta da naturalização de discursos violentos contra o seu modo de amar e viver a vida. Neste sentido, este casal perde sua liberdade de opressão, vivendo a todo instante com medo e receio dos julgamentos da sociedade. Basta lembrar que para Stuart Mill, um dos maiores defensores da Liberdade de Expressão, a coerção moral – aquela praticada pela sociedade que julga seus comportamentos e atualmente feita também pelo famigerado Politicamente Correto – era tão objetável quanto a coerção estatal.

Seguindo este raciocínio, há legitimidade para limitar a liberdade de expressão a fim de garantir aos indivíduos a liberdade de opressão, tão necessária para a autonomia humana. Se comprovado que determinados discursos limitam a liberdade usufruída por determinados indivíduos, deve-se objetar a natureza destes discursos e limitá-las para evitar um mal maior. Afinal, tolerância ilimitada com os intolerantes pode em longo prazo minar instituições e a ordem social tão duramente construída ao longo do tempo. Mas adentrando um pouco em uma lógica mais utilitarista, será mesmo que em longo prazo uma liberdade de expressão limitada resolverá os problemas da sociedade?

Antecipando essa pergunta, John Rawls apresenta ressalvas com relação à limitação das liberdades dos intolerantes, diz ele que “a limitação dos intolerantes, às vezes, se torna desnecessária, já que a tendência das seitas intolerantes, numa sociedade predominantemente tolerante, é a dissolução.” Como se daria essa dissolução? Apenas de uma única maneira: liberdade de expressão e livre intercâmbio de ideias.

Stuart Mill, em sua obra Sobre a Liberdade, reconhece os efeitos positivos da liberdade de expressão em uma sociedade. Ele elenca três razões que fundamentam a necessidade de tal liberdade na sociedade. A primeira razão que Mill levanta é a de que ao impedirmos a expressão de uma opinião estamos privando os indivíduos da oportunidade de trocar uma ideia errada pela verdade. Se a opinião for certa, então estaremos impedindo que as gerações futuras usufruam dos benefícios advindos de uma ideia boa que poderia ter sido melhor desenvolvida no passado.

Existe uma grande diferença entre presumir a justeza de uma ideia que resistiu às inúmeras tentativas de refutá-la, e presumir a verdade de uma opinião ao impedir qualquer tentativa de refutação contrária. Afinal, como pode o indivíduo arraigar para si a infalibilidade de suas crenças e convicções? Ainda que 99 pessoas em 100 fossem de determinada opinião, não justificaria com que o único indivíduo de pensamento contrário fosse silenciado e privado de defender seu ponto de vista. Basta lembrar que muitas ideias hoje que são de senso comum (como o direito à vida, o pluralismo religioso e a necessidade da repartição dos três poderes) já foram defendidas pela minoria das pessoas de uma época e sociedade.

Quem de nós, na condição de meros mortais humanos, pode declarar-se infalível em suas próprias crenças? A única maneira de podermos garantir que nosso juízo merece confiança é garantindo que nossas convicções estejam abertas à crítica e refutação. O confronto com as ideias de outras pessoas é a única maneira de garantir um fundamento estável de nossas crenças e o mais próximo possível da verdade.

“Algumas pessoas têm a ideia de que liberdade de expressão significa que elas são livres para dizer tudo que elas gostam, mas se alguém diz qualquer coisa em contrário, trata-se de um ultraje!”

Como Rawls reconheceu, em uma sociedade aberta e tolerante as seitas e grupos intolerantes dissolver-se-iam naturalmente. Sempre que uma constituição limita a divulgação de determinadas ideias, ainda que estas sejam danosas para a sociedade, há na verdade um efeito contrário ao pretendido. Opiniões heréticas não desaparecem após serem proibidas, o mundo não se torna um lugar melhor depois que uma lei é aprovada. Escrever em um papel que “seres humanos não podem ser racistas” não fará com que racistas sumam. Na verdade, muitas ideias intolerantes até ganham mais força após o início da “perseguição” contra seus autores que ganham o título de “mártires pela causa”. Sem a liberdade para expressarem seus ideais, estes grupos geralmente tendem a se ver como os “oprimidos” e não desejando fazer parte de um Estado dominado pelos seus “inimigos”, há um forte incentivo para agirem violentamente contra aqueles que são alvos de seus discursos. A liberdade de expressão não apenas garante que possamos combater ideias erradas através do debate, mas também permite a existência de uma sociedade mais harmônica e estável.

Na verdade a situação fica ainda pior com a proibição da expressão de determinadas ideias. Torna-se muito mais difícil combater opiniões errôneas quando elas são proibidas, afinal, como lutar contra racistas se você não sabe quem eles são? Como argumentar contra neonazistas se eles promovem encontros secretos para influenciar mais e mais jovens descuidados? Aliás, como preparar pessoas para rebaterem argumentos neonazistas se em nossa sociedade não sabemos nem quais são estes argumentos?

Enquanto houver alguém que negue determinada preposição, por mais certa que esta nos pareça, não podemos simplesmente deslegitimar sua posição e dispensar o seu direito de livre-expressão. Afinal, quem de nós vai definir o que é válido ser discutido e divulgado ou não? O Estado através de seus políticos? Você realmente confia em políticos humanos e constantemente falhos? Talvez possamos apelar para a vontade da maioria? Mas não foi a maioria que condenou Sócrates a morte em uma Atenas democrática? Não foi a maioria que mandou milhares para a fogueira pelo crime de contestarem as verdades da Igreja?

O único que tem potencial para definir se tal ideia é boa ou não, é o indivíduo. Apenas ele tem direito para definir para si mesmo se alguma opinião é falaciosa ou verdadeira. Atenção: o indivíduo não tem espaço para definir isso pelos outros, apenas para si mesmo. Tomar a ousadia de decidir tamanha questão pelos outros sem conceder espaço para que eles possam ouvir qualquer opinião em contrário é de uma pretensão e autoritarismo sem limites.

Os fatos verdadeiros ganham mais com alguém que tem liberdade para estudar ideias divergentes, do que com os espíritos conformistas que apenas aceitam opiniões dominantes porque elas são socialmente aceitáveis. Aliás, como Mill percebeu, a intolerância social (hoje existente na forma do Politicamente Correto) embora não mate ninguém e não legitime o uso da força contra aqueles que professam determinada opinião, ainda assim induz os homens a mediocridade, forçando-os a disfarçarem suas ideias e a abster-se de discussões importantes onde poderiam contribuir enormemente para a sociedade.

“É claro que liberdade de expressão é importante. De que outra forma poderíamos saber o que pessoas estúpidas têm na cabeça delas?”

Por fim, o Estado não tem o direito de ser meu pai e dizer qual ideia é boa para mim ou não. Quando abrimos legitimidade para o Estado fazer esse tipo de coisa – mesmo nas questões que temos como erradas – abrimos margem para que ele possa literalmente dizer que é errado qualquer tipo de coisa. Não foi o próprio Estado brasileiro que impediu humoristas de fazerem piadas com políticos em época de eleição? Aparentemente, de acordo com o meu pai Estado, as piadas impediriam a democracia e poderiam me influenciar – um pobre cidadão tonto e inocente – a votar errado. Pobre de mim que preciso ser protegido dos humoristas e formadores de opinião!

As pessoas acham que os Regimes Nazistas e Fascistas surgiram da noite para o dia. Não foi. As pessoas, pouco a pouco, foram concedendo ao Estado legitimidade para tomar decisões cada vez mais contrárias às suas liberdades individuais. Quando elas perceberam o que estava sendo feito, já era tarde demais.

Liberdade de expressão nessa caralha!

Quero ter a porra do direito de dizer a merda que eu quiser!

Agora saiam lá fora e espalhem a palavra meus amigos – o mundo precisa de liberdade!

[1] Quando falo em lei, estou recorrendo ao mesmo conceito que Locke usou para definir o Estado de Natureza. Ou seja, falo dos Direitos Naturais, as leis que existem naturalmente, sem a existência de um legislador. Ex.: Direito à vida e à liberdade.

Jesus, o maior liberal que já existiu

– Artigo de Vinícius Rodrigues Miranda.

Muitas pessoas acreditam piamente que Jesus era um comunista. Não apenas nas escolas, mas também na internet é comum ouvirmos coisas como “Se Jesus fosse vivo hoje, ele seria um esquerdista”. Independente de suas crenças religiosas, não há como negar que os ensinamentos de Jesus impactaram o mundo de uma maneira que nenhum outro homem conseguiu fazer. Talvez ele tenha sido para você o filho de Deus, ou apenas um grande profeta (como o é para mim), ou só um homem surpreendentemente sábio para os padrões de sua época e local de nascimento. Não faz diferença no que acredita, apenas abra sua mente e siga comigo no texto.

Não poderia haver maior falácia dizer que Jesus seria um comunista nos dias atuais. Vamos botar a mão na consciência e entender que as pessoas que geralmente afirmam isso, nunca leram realmente o Novo Testamento. Alguns chegam a dizer coisas de lugar comum como “Jesus andava com todo tipo de gente, logo, Jesus era de esquerda” abraçando aquela velha dicotomia falsa de que a esquerda é boazinha e a única que luta pelos direitos humanos e a direita é fascista, militarista e do mal.

Com o perdão da blasfêmia... Esta foi muito boa!
Com o perdão da blasfêmia… Esta foi muito boa!

O primeiro ponto que devemos compreender é que Jesus não separava as pessoas entre a classe dos fariseus, ou a dos romanos ou a dos judeus oprimidos. A salvação para ele não seria coletiva, mas individual. Para Jesus, não importava sua classe, seu status social ou gênero. Ele nunca disse coisas como “Os judeus têm mais chance de ir para o céu, pois naturalmente pertencem a classe oprimida”. Pelo contrário, Jesus acreditava que a salvação seria alcançada apenas individualmente e a partir de uma escolha voluntária. Ninguém mais pode aceitar Jesus por mim, essa escolha deve ser livremente feita por mim, a partir de uma associação voluntária. Um pacto onde eu afirmo “Eu aceito Jesus”.

Em tempo, é verdade que este grande judeu andava com todo tipo de gente, e isso inclui também os ditos opressores: coletores de impostos e centuriões romanos na lista de amigos de Jesus. Todos eram recebidos de braços abertos por ele, sem qualquer distinção de classe. Reitero que as pessoas eram vistas por ele como indivíduos, não como membros de uma determinada casta, e essa afinal das contas, não é a base do individualismo tão pregada pelos liberais?

Agora, estejam preparados para o que direi a seguir, ok? Ajeitem-se em suas cadeiras. Direi algo chocante para os esquerdistas de plantão.

Para os que tem "nervos a flor da pele"...
Para os que tem “nervos a flor da pele”…

Jesus, mais do que ninguém, aprovou e apoiou a meritocracia individual. Digo isso com base em uma parábola que pode ser encontrada em Mateus 25. 14-30 onde este grande profeta conta a história de um homem (provavelmente rico, diga-se de passagem) chama alguns de seus servos para que administrem suas riquezas enquanto ele estiver fora. Cada um desses homens recebeu uma quantidade diferenciada: a um deu cinco moedas, a outro dois e a outro um, de acordo com suas capacidades. Os dois primeiros homens administraram muito bem e fizeram render as moedas e com isso foram agraciados pelo seu senhor com bênçãos. O servo que recebeu menos, não fez render o pouco que tinha e, com isso, foi duramente criticado e punido.

Somente nessa parábola podemos tirar três interpretações: A primeira é que Jesus afirma que Deus dá bênçãos e dons a cada um de acordo com sua capacidade, o que com certeza gera desigualdade entre as pessoas. Há uma grande preocupação com o “merecer” para receber. Há aí já a diferenciação para Jesus: ninguém é igual.

Em segundo lugar, cada um é julgado e analisado de acordo com suas capacidades individuais. É interessante notar que embora um homem tenha recebido cinco moedas e outro duas, ambos fizeram render as riquezas na proporção da quantidade que receberam. Até mesmo o que recebeu uma moeda, podia ter feito esse talento frutificar e ao não fazer isso foi severamente punido. Já notamos aí o desejo de Deus para que multipliquemos todas as bênçãos que ele nos dá. No momento do acerto de contas vemos que aquele senhor se alegra com os servos que multiplicaram suas riquezas, sem distinção de quantidade. O que recebeu menos foi honrado da mesma forma que o que recebeu mais. O que o senhor viu foi a fidelidade e o melhor uso dos talentos: “Então, aproximando-se o que recebera dois talentos, entregou outros dois, dizendo: Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui outros dois talentos que ganhei com eles. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.20-21)

A prosperidade é uma ciência.
A prosperidade é uma ciência.

Por fim, claramente Deus nos cobrará pelo que fizermos com nossas bênçãos. Ser abençoado (em dons, riqueza e etc) significa também receber responsabilidades. O último homem, apesar de ter conservado sua única moeda, recebeu duras críticas por não tê-la multiplicado. Eis aí o que o livre-mercado no final das contas é: punição para os menos eficientes e que menos fazem. Nessa mesma parábola vemos o que acontece com quem não multiplica suas riquezas e dons: “Respondeu-lhe, porém o senhor: “Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.” (Mt 25.26-29)

Quando há mais riqueza sendo gerada, há mais para dividir e distribuir, mesmo que de forma desigual e apenas na proporção do seu trabalho investido. Todos são beneficiados com a multiplicação de riquezas, por isso, a vontade de Deus para que multipliquemos as nossas bençãos. Ele não nos pede para que nos preocupemos com a justiça social e a equidade e nos preocupemos com o fato de que alguns homens sabem cantar, outros sabem desenhar e outros mais abençoados sabem fazer os dois. Ele nos pede para que façamos o melhor com nossas riquezas e frutifiquemo-as. Se não fizermos isso, corremos o risco de ser tirado até o pouco que temos e “redistribuído” a quem saberá fazer mais e melhor.

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Alguns ainda podem insistir em afirmar que se Jesus fosse um “liberal” ele não teria feito o milagre da multiplicação dos peixes e dos pães, pois diria que cada um deve aprender a pescar. Pelo contrário, meu caro. Se Jesus fosse um socialista, ele pegaria os cinco pães e dois peixes disponíveis e distribuiria aqueles únicos pedaços igualmente para todos. Sempre que se lembrar de liberalismo a partir de hoje, pense na multiplicação dos peixes – afinal, queremos multiplicar riquezas e ajudar os famintos com isso.

Mas as coisas não param por aí. Acha que apenas uma passagem justificaria todo o liberalismo de Jesus? Não, meu caro. Algumas pessoas, por exemplo, costumam dizer que Jesus era de esquerda, pois pregava que devíamos cuidar dos pobres. Quanta falácia. Em primeiro lugar, nenhum liberal em sã consciência afirma que pobreza não seja algo ruim, apenas afirmamos que desigualdade não é algo ruim. Basta lembrarmos que os países mais igualitários são também os países mais pobres. Assim como na parábola onde o senhor deseja que os homens multipliquem suas riquezas, assim também deseja o mais sincero liberal. Não há melhor maneira de cuidar dos nossos pobres do que gerando e produzindo mais. Já dizia o nosso amabilíssimo Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá: “O melhor programa do governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, empregam, trabalham e consomem.”.

Semeador: O que plantamos, colhemos.
Semeador: O que plantamos, colhemos.

Mas e quanto ao Estado e ao governo? O que será que Jesus pensava a respeito? Talvez podemos ter uma pequena noção em Lucas 4:5-7: “O Diabo o levou a um lugar alto e mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo. E lhe disse: “Eu te darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser. Então, se me adorares, tudo será teu.”

Em primeiro lugar quero lembrar que não barganhamos algo que não temos. Em segundo lugar, vemos claramente nessa passagem que os reinos humanos são obras do diabo, usado para suas maquinações e coerções. Mais do que ninguém, um liberal tem consciência de que o governo é formado por homens que são corruptíveis, falhos e nada oniscientes. O credo liberal reza que devemos limitar o poder dos governantes ao mínimo, para que eles não articulem suas maldades diabólicas contra nós, a verdadeira e única minoria oprimida – os indivíduos.

Gosto também de lembrar que Jesus era um dos maiores preocupados com a não-violência e claramente não acreditava que os fins justificavam os meios. No Sermão da Montanha, Jesus Cristo comparou os meios as árvores e os fins aos frutos: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros e figos dos abrolhos? Toda árvore boa dá bons frutos, toda árvore má dá maus frutos” (Mt 7.16-17). Devemos compreender que as ações no presente inevitavelmente repercutirão na forma como a sociedade se organizará no futuro. É irracional tentar construir uma sociedade em cima de violência, coerção, formas de distribuição de renda forçadas, ou até mesmo em cima de mentiras e desonestidades. O que começa mal, não poderá acabar bem. Os fins jamais justificarão os meios, e isso era uma grande verdade para Jesus.

Aliás, tudo que o liberal deseja é Paz Social, Jesus também ansiava por essa estabilidade. Aponte para mim o versículo em que Jesus disse “Judeurários, às armas!”. Não, pelo contrário, pregava ele os princípios da não violência e do Pacto de Não-Agressão. No mesmo Sermão da Montanha Jesus ensina a oferecer a outra face, que se trata de responder aos agressores sem o uso da violência. O credo liberal está sempre preocupado com a estabilidade e a ordem na sociedade, por isso, defendemos que ninguém deve ser atacado por suas opiniões e que a liberdade de expressão deve ser salvaguardada a todos. Garantindo uma atmosfera livre e repleta de debates democráticos, podemos garantir que as pessoas possam ter a oportunidade de convencer umas as outras de suas ideias e opiniões sem ter que recorrer ao uso da violência, por exemplo. O liberal entende que a estabilidade e a paz social são necessárias para o desenvolvimento individual, bem como da sociedade. Jesus também sabia disso.

 

Moeda romana "talento". 01 talento = 60 minas e 01 mina = 100 dracmas, portanto 01 talento = 6000 dracmas.
Moeda romana “talento“. 01 talento = 60 minas e 01 mina = 100 dracmas, portanto 01 talento = 6000 dracmas.

No fim, como último recurso dessa epopeia histórica de Jesus, a esquerda pode se lembrar da passagem em Mateus 19:24 onde lemos Jesus dizendo que “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, mas isso não se trata de uma pregação contra a riqueza e sim contra o materialismo. Principalmente quando nos baseamos no estudo de alguns autores, que afirmam que “agulha” é a tradução para a palavra que define os “buracos” (portas abertas) nos muros da cidade. Um camelo chegava carregado na cidade e tinha de “descarregar-se”, passando “nú” pela “agulha”. Sobre a questão do materialismo, isso é tão verdade que logo em seguida seus discípulos perguntam: “Quem poderá pois salvar-se?”, ao passo que Jesus responde: “Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.”.

 Ou seja, se você deseja a salvação espiritual, não é no mundo material que a encontrará. A salvação não está reservada ao mais rico e nem ao mais pobre, mas àquele que se entrega de corpo e alma voluntariamente para os braços de Deus. Não se trata de voto de pobreza, mas sim de ter a consciência de sempre se lembrar de quem foi que o agraciou com tantas bênçãos e riqueza material.

- Ei, olha! Uma "agulha"...!
– Ei, olha! Uma pequena “agulha”…!

Eu poderia citar outras inúmeras passagens – tenho muitas favoritas – que aproximam Jesus dos ideais liberais. As pessoas querem acreditar e empurrar goela abaixo que se Jesus nascesse nos dias de hoje, com certeza ele lutaria contra o status quo e defenderia piamente a esquerda brasileira. Olha, nesse ponto eu concordo parcialmente. Jesus realmente lutaria contra o status quo de um país que vive sob a tutela de um governo de esquerda há mais de 12 anos, e há mais tempo ainda vivendo debaixo do julgo e influencia de governos inchados, burocráticos e pouco preocupados com nossas liberdades individuais.

Jesus estaria mais próximo do “neoliberalismo”, preocupado apenas com a salvação individual, meritocracia e multiplicação de riquezas. Com certeza não veríamos um Jesus barbudo líder do sindicato, brigando por classes e separando a salvação entre opressores e oprimidos. Se Jesus contasse nas Universidades Federais aquela mesma parábola do homem que entrega seu dinheiro para que os servos administrem, com certeza passaria a tarde ouvindo reclamações sobre justiça social e distribuição desigual de riqueza.

Bastiat também deu seu recado.
Bastiat também deu seu recado.

Se ainda duvida que o Novo Testamento seja em si liberal, basta lembrar quem foram as pessoas e movimentos que ele influenciou. O capitalismo, por exemplo, deve seu desenvolvimento em grande parte ao movimento protestante que, por sua vez, foi influenciado pela leitura do Novo Testamento. Marthin Luther King (um liberal que, aliás, era um pastor) foi influenciado por Gandhi (um pacifista), que por sua vez foi influenciado por Thoreau (um individualista) que foi influenciado pelo Novo Testamento.

A lista é longa e geraria com isso um novo artigo, em vez disso, prefiro perguntar ao leitor. Quem mais você conhece que tenha sido influenciado por Jesus Cristo e seus ensinamentos? Aliás, qual seu versículo favorito do Novo Testamento proeminentemente e deliciosamente liberal?

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