O Brasil perdeu o senso do absurdo

A cada dia que passa o Brasil se revela um cenário de reviravoltas e intrigas que deixaria qualquer seriado americano com inveja. Nenhum roteirista seria melhor para transcrever uma obra mais política quanto o nosso próprio tempo… Um ode teatral que dá espaço ao novo pensamento subversivo moderno. Um pensamento mais auto-confiante, menos patriarcal e comodista.

O brasileiro é um povo que ama o estado e odeia os políticos. O paternalismo e psicologia estatal é enraizado na sua cabeça desde a mais tenra idade. É implantado, de tal forma – e tão profundamente -, que dói arrancar as suas raízes, tal qual uma extração de dente. Fere o ego, fere o sentimento, fere o nacionalismo (ou ufanismo?), fere o orgulho, fere a ideologia. É difícil olhar para toda uma vida, pensamento, consciência, todos construídos em cima de uma base ideológica na qual “o Estado há de prover”. É realmente doloroso olhar para o nosso passado, para a nossa construção individual de pensamento e perceber: “Há algo de errado aí”. Esta humildade é só o primeiro passo… E é, em tempos como este, extremamente necessária.

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I’m Batman!

O governo é a instituição que mais cometeu equívocos em todo o solo verde e amarelo. Não dá para acreditar tanto em uma classe que busca se eleger pensando em seu próprio benefício ou no do seu partido. Vemos o Estado se contorcendo, definhando e implodindo… Uma cobra que morde o seu próprio rabo. Muitos culpam o tal multipartidarismo, culpam o corporativismo, culpam a cultura do “jeitinho”, culpam tudo… Menos a existência, tamanho ou comportamento da máquina em sí. Máquina esta que seria uma instituição tão pura que fora corrompida com o interesse alheio. Esta máquina não é abstrata. Ela é um conceito abstrato concretizado pois é apenas a interação de pessoas, decidindo o destino de outras – e de sí mesmas.

Sou Baiano. Da minha terra vem um ditado: “Todo mundo é comedor de feijão”. Pode parecer bobo, mas ele nivela todos num nível no qual, queira ou não queira, revela que temos as mesmas necessidades e, por fim, o mesmo destino. A máquina política é método de administração de um território forçado por via da coerção física e “legal”. A “legalidade das leis” – ou aceitação/submissão psicológica da mesma a seus subservientes – é a questão mais discutida atualmente. O pensamento patriarcal, que em suma revela uma descrença na capacidade do povo na resolução de problemas – e por consequência uma maior crença e destinação de poder a classe política – é presente no nosso dia-a-dia de tal forma que a própria “Lei” (manifestação no papel de pensamento dos homens, tão falhos quanto quem vos elegeu) é tida como ilibada/intocável.

Pois bem, eu tenho uma surpresa pra você. O poder legislativo, judiciário e executivo são formado por pessoas. O Estado é um agrupamento de pessoas. E você apenas os colocou lá porque acredita, desde o seu berço, que eles são mais capazes do que você para resolver os seus problemas e o das outras pessoas. Este é o grande mal da democracia. E quando este “poder” – de efeito abstrato e psicológico, pois só existe porque você o permite – revela o ser humano por detrás da máscara…

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E por que dói tanto a política e suas endêmicas patologias? Porque entregamos grande parte da administração de nossa própria vida à uma classe que não sabe cuidar nem deles próprios. Somos obrigados a votar, somos programados a confiar, somos – assim como bois marchando ao matadouro – forçados a meter as mãos no bolso e direcionar recursos ao Estado. E a festa acontece debaixo de nossos próprios olhos.

Está mais que provado que o Estado – e suas conturbadas crises através da história – é um recurso extra, à parte da sociedade e, praticamente, insustentável. O capitalismo não precisa de crise pra sobreviver. É uma falácia absurda… Porém o Estado sim. Redirecionando recursos escassos ao seu bel prazer, os sanguessugas da classe regojizam-se em suas poltronas e aproveitam, tal qual um menú degustação, de cada voto apreendido.

O nosso dever e missão é acreditar mais em nós mesmos. Não existem “heróis”, a história provou isto. A política se vende com o rótulo de que a própria sociedade precisa de um “membro estranho” (Estado) sobre ela, organizando-a pois, afinal, nunca seremos capazes de administrar nossa vida. Existe um “contrato social” nunca assinado por nenhum de nós… O Estado se vende (ou “se lucra”) com a mentalidade da incapacidade, da subversão de valores, da descrença. Somos – por natureza – seres inaptos e incapazes. Precisamos da “muleta estatal”. Precisamos de uma mãe abstrata reguladora e interventora na nossa vida. A sociedade nunca teria como reger-se pelas próprias regras, pelo fluxo de mercado e poder aquisitivo, pelas instituições, leis naturais/privadas, pela cultura, pelo fluxo natural. Há, até a mais profunda raiz, a percepção de que somos, no enxugar das lágrimas, seres subestimados. Para quem tem olhos para enxergar, não é o Estado que nos serve… Nós servimos ao Estado.

O efeito psicológico deste pensamento é danoso. Uma pessoa pró-ativa, responsável e empreendedora nunca pensará desta maneira, esperando que do céu caia o feijão e prazer do dia-a-dia. Do céu, lê-se, do Rei, do presidente, do partido, do deputado, do vereador, do político/Estado (sim, eles são a mesma coisa). Política virou religião. A doutrina da salvação pregada pela igreja foi redirecionada a uma personificação das abstrações conceituais e heróicas dos contos de fada e arquétipos infantis, materializados nos seres elegidos. Felizmente, a grande realidade é que a tentativa implantação do paraíso na Terra só teve como consequência o próprio inferno. Não precisamos de pessoas “bem intencionadas”… Precisamos de pessoas competentes, com conhecimento e serventia necessária para atender à necessidade de terceiros. Precisamos de mais fé no indivíduo e suas capacidades.

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A fé política é uma fé morta em origem. Condena-se em decadência e decepção quem crê em algo desta natureza. Em essência, a classe não deseja acabar com a pobreza, com a desigualdade, com nada… Eles precisam disto. A proposta de venda de esperança de 4 em 4 anos é o grande motor da máfia/cúpula estatal. É o aproveitamento da ingenuidade alheia. É tirar doce de criança. Despertai!

A fé no indivíduo é uma fé viva. A fé neste mesmo pode advir de uma fé em um Ser Maior, afinal, é comum a crença de que quando o indivíduo se movimenta em prol de seu benefício próprio e de seus semelhantes, “Algo de Maior” viria ao seu encontro. Budistas, correntes cristãs, espíritas e outras crenças pensam desta forma. “Faça por tí que te ajudarei”. Esta crença individual é única pois, por mais piegas que soe, cada um somos um. Sendo um e, juntos, fazemos o nós. “Somos sós, com outros ao redor”. A crença na individualidade tem de despertar. A benevolência gera tal qual chama quando respeitamos todos os valores individuais. O choque de realidade é preciso para “não esperarmos”. O Brasil está no fundo do poço pois absorveu-se desta “espera” todo o proveito pessoal possível. A mentalidade patriarcal faz de migalhas o seu ouro em pó, distribuído paulatinamente em doses homeopáticas.

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Acorde para sua raridade e força individual!

O Brasil perdeu o senso do absurdo. Mas precisamos acordar. Acordar não para uma “nova classe política”… Ou para novos “representantes do povo”. O Sistema se reorganiza… O Sistema se enquadra, arranja novas vanguardas, amplia-se em novos rumos, refaz-se em velhos caminhos… Constrói um muro novo com velhos tijolos, para citar meu amigo Karl Marx, um dos grandes culpados por tudo isto… Precisamos acordar para nós mesmos. Se é para fazer um trabalho bem feito, quem é que deveria fazer? A sociedade há anos vem fazendo mais por sí mesma que qualquer Estado. O celular, o computador, o carro, o avião, as doações privadas, o transporte de água, sistema de irrigações, descobertas químicas/médicas, o auxílio mútuo e benevolência espontânea fizeram incomparavelmente mais pela sociedade que qualquer tipo de organização estatal. Historicamente, a organização estatal só fez algo pelo o povo quando cumpriu o seu papel mais essencial: Se distanciar dele. Todo o resto é demagogia barata.

Guerras? Estatais. A história flui com mais facilidade quando as mãos peludas não estão presentes. A vida é mais bela sem a intervenção… A Luz pode clarear mais os indivíduos quando não há repressão e os mesmos são livres até para aprender com os seus próprios erros.

Este momento nacional reflete a incapacidade da mentalidade entreguista, doadora… Que responsabiliza a outra pessoa a força de carregar as coisas em seus próprios ombros… E este peso só aumenta com o tempo e com a presença matriz.
Indivíduos do Brasil… Uní-vos!

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2 comentários em “O Brasil perdeu o senso do absurdo”

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